Entre o bem e o mal

 Gerson Américo / Imagem Ilustrativa

O mal e o bem... A morte e a vida.

O mal e o bem… A morte e a vida.

Por mais que em alguns minutos o mundo não pareça mais girar a nossa volta, a vida corre sem freio pelas ruas por dois sentidos sem parar. Desgovernada, vai de corpo e alma, atravessando igrejas, terreiros e encruzilhadas, levando sobre os ombros cruzes pesadas que um dia jamais imaginaríamos carregar.

Ela segue sem fim, acelerando nas esquinas, enfrentando duras batalhas, somando seus próprios pesos e suas medidas, se desenrolando como um carretel de linha indo de ponta a ponta, encontrando e perdendo-se entre chegadas e partidas.

No entanto, por mais que as duas mãos nos levem a alguma direção, e, estejam entrelaçadas uma na outra, existe uma força que inevitavelmente nos invade diante das provações. Desde o início eu deveria saber por conta dos atalhos que a minha missão seria de mover o universo.

Os dias foram caminhando junto das horas, divididos em metade luz e escuridão. Após uma longa jornada de subidas e descidas, lutando contra as barreiras do impossível, levantando e caindo, finalmente cheguei no reino dos céus.

Já quase sem forças, ajoelhei-me e fiz uma oração, pois nunca imaginei que para chegar perto de Deus fosse necessário comer o pão que o diabo amassou. Ao amanhecer na beira da estrada embarquei de carona no sol e  assim conquistei uma nova chance.

Ela surgiu num dia santo de número místico, cercado de manifestações da natureza.. e quando não havia mais tempo, chegou a hora: as dores das contrações foram aparecendo, misturadas de esperança, medo e arrependimento, empurrando-me aos poucos para fora de um ventre abençoado.

Mas algo estava errado. As vozes que vinham de fora estavam confusas; ora vinha orgulho e alegria, outrora desprezo e rebeldia.

Nesse momento a imagem do santo se desenhou sob o olhar invisível de todos clamando para que todo mal se afastasse dos arredores, mas nada se ouvia e as suas preces não eram suficientes. Em seguida sua figura foi desaparecendo aos poucos indo embora como um sopro de fumaça.

De cabeça virada ao avesso e ligado apenas ao cordão vital do elo da vida eu nada podia fazer a não ser esperar até onde aquela energia incontrolável me levaria. Comecei a descer entre as pernas dos andares perdidos na direção da luz no fim do túnel.

Enfim, fui concebido, mas como muitos, sem chances de escapar das garras do próprio destino. O abandono foi a primeira porta aberta numa vida que nem se quer havia começado. Sujo, enrolado no lençol dentro de um saco plástico no meio do lixo, a existência estava por um triz.

Neste mesmo instante, o santo apareceu novamente e pela última vez suplicou aos céus pedindo salvação, espalhou sua fé por todos os cantos até onde ela pudesse alcançar; quando inesperadamente as mãos tremulas da bondade de um andarilho me tomaram pelos braços e impediram o fim.

Nasci o fruto do pecado e me tornei um milagre, escapando de todo mal  fui trazido de volta a humanidade, pois o bem e o mal caminham juntos – as duas forças.

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